Desembargadoras são homenageadas no Órgão Especial em despedida do TJRJ
As desembargadoras Denise Levy Tredler e Margaret de Olivaes Valle dos Santos receberam nesta segunda-feira, 23 de março, a Medalha de Honra da Magistratura Fluminense, durante sessão no Órgão Especial do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ). A homenagem marcou a última participação das magistradas no colegiado antes da aposentadoria de ambas. A comenda foi instituída como forma de reconhecer a dedicação de magistrados ao Poder Judiciário. A cerimônia reuniu membros da Corte, autoridades do sistema de Justiça, familiares e convidados.
Responsável pela saudação às homenageadas, o desembargador Mauro Dickenstein destacou as trajetórias das magistradas e o legado deixado por ambas. “Os currículos das magistradas demonstram trajetórias iluminadas. Mulheres que não se contentaram com vitórias pessoais e pidiram com o tribunal o que há de melhor acadêmica e jurisdicionalmente. Há de se reconhecer que dois belos ciclos se encerram, mas agradecidos pelo superlativo legado que deixaram”, afirmou. Ele também ressaltou que “elas honraram a magistratura nacional na arte de distribuir Justiça com desmedida dedicação e princípios”.
Após 42 anos de magistratura, a desembargadora Denise Levy Tredler fez questão de afirmar que, apesar da aposentadoria, leva consigo a experiência acumulada ao longo da carreira. Em discurso emocionado, destacou o compromisso com a responsabilidade judicial. “É importante para o juiz colocar-se no lugar daqueles que buscam justiça. Nossas decisões impactam diretamente a vida das pessoas”, disse, ao lembrar ainda os valores que nortearam sua atuação, como ética, estudo constante e respeito ao próximo.
Já a desembargadora Margaret de Olivaes Valle dos Santos ressaltou o simbolismo do momento e refletiu sobre o tempo e a carreira. “Hoje é dia de falar de tempo. O tempo que não passa, mas continua. O passado permanece ativo e o futuro tem raízes no presente”, afirmou, citando referências literárias e pessoais para ilustrar sua trajetória. Ela também agradeceu aos colegas, familiares e servidores com quem conviveu ao longo de mais de três décadas de atuação, incluindo a passagem pela Defensoria Pública e pela magistratura. “Tive o prazer legítimo de exercer a profissão que escolhi, com dedicação e sentido de justiça”, declarou.
As carreiras
Formada em Direito pela antiga Universidade do Estado da Guanabara (atual Universidade do Estado do Rio de Janeiro), Denise Levy Tredler iniciou a carreira na advocacia e teve breve passagem pelo Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro antes de ingressar na magistratura em 1984. Ao longo de mais de quatro décadas, atuou em persas comarcas, exerceu titularidade em varas cíveis e câmaras do Tribunal. Foi promovida a desembargadora em 2006. Destacou-se também pela atuação em direitos humanos, participação em conselhos e conferências nacionais e pelo trabalho acadêmico e voluntário, sendo agraciada com a Medalha Tiradentes da Alerj.
Já Margaret de Olivaes Valle dos Santos graduou-se pela Universidade Federal Fluminense e iniciou a trajetória no sistema de Justiça como defensora pública. Ingressou na magistratura em 1993 e foi promovida a desembargadora em 2014, passando a integrar a 8ª Câmara de Direito Público. Com forte atuação acadêmica, possui formação complementar no Brasil e no exterior, além de experiência como professora e autora de obra jurídica. Também exerceu funções relevantes na administração do Tribunal, incluindo a presidência de comissões organizadoras de concursos e atuação na Escola da Magistratura.
O presidente do TJRJ, desembargador Ricardo Couto, também fez questão de destacar a trajetória e a importância das magistradas.
“Guardamos um paradoxo: se, por um lado, estamos felizes por tanto tempo de convivência, por outro lado isso nos traz tristeza neste momento, porque duas grandes magistradas entram em um novo ciclo da vida, em que, infelizmente, não poderemos ter a companhia ao lado, no trabalho, mas ambas estarão sempre conosco, se não presencialmente, em seus julgados, na marca que deixam no tribunal, no estilo da judicatura que ambas deixam para todos nós.
Muitas vezes chegamos por antiguidade, mas tendo um verdadeiro merecimento. Eu aqui sei que todas as promoções realizadas sempre tiveram o carinho do merecimento. Em relação às mulheres, elas sempre foram promovidas por serem merecedoras ", destacou o presidente.
SV/IA
Fotos: Felipe Cavalcanti/ TJRJ