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Lei Maria da Penha: Grupo reflexivo em Itaboraí atua na ressocialização de homens

É com a sensação de quem tirou um peso das costas que Adriano reage quando avalia o que tem aprendido no grupo reflexivo coordenado pelo Juizado de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Itaboraí, na Região Metropolitana. Ele e outros 19 foram encaminhados, por determinação judicial, para participar de grupos reflexivos. Uma oportunidade que a Justiça, pela letra da Lei Maria da Penha, dá a quem responde processos por crimes cometidos contra a mulher.     Adriano fala sem destemor. Admite que não é uma situação confortável recordar o que aconteceu meses atrás, quando afirma ter “perdido a cabeça” contra sua ex-companheira. Hoje, ele aprende no grupo reflexivo a dinâmica sobre o ciclo da violência contra a mulher, a diferença da força física entre os gêneros. Vivendo um novo relacionamento, Adriano reconhece que as aulas têm provocado mudanças na vida. “Eu sei que não sou santo, mas não quero mais ser visto como monstro”, afirmou.   Iniciado há seis meses, os grupos reflexivos em Itaboraí são fruto de um convênio entre o Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (TJRJ) e a Petrobras. A região cresceu muito desde a construção do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj). O funcionamento de um dos maiores empreendimentos da empresa impulsionou o viés social. São profissionais da Petrobras que dão as aulas aos homens do grupo reflexivo. Os assuntos variam: Comunicação Não Violenta, Violência Doméstica e, principalmente, a troca de experiências.   “Sem dúvida o projeto é exitoso, tem feito a diferença. A chegada do Comperj a Itaboraí gerou empregos, aumentou a população. Tivemos a preocupação de observar o fenômeno e criar mecanismos de ressocialização e responsabilização dos homens do grupo reflexivo por seus atos”, avalia Juliana Cardoso, titular do Juizado. A ideia agora é aumentar o número de turmas e aulas.     Se há êxito no projeto, também há novas perspectivas na vida dos alunos. No caso de Clayton, o grupo tem sido uma experiência de vida. Ele, com 26 anos, teve idas e vindas com a companheira, de 38 anos. Numa das brigas, teria havido uma ameaça, o que a assustou e a fez procurar a Justiça. As aulas são boas? “Muito”, ele responde. Só que há uma decisão – que não é judicial – que pode fazer a diferença, segundo ele.   “A força de vontade em querer mudar é fundamental. Eu participo das aulas e ouço histórias muito piores que a minha”, reflete o despachante de Itaboraí que teve a medida protetiva retirada pela Justiça. A reaproximação fez reatar o relacionamento.     “Aos poucos, estamos tentando caminhar juntos de novo”, comemora.   FB/MB
26/11/2021 (00:00)
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